Sexta-feira, 8 de Agosto de 2008

trouxeste a chave?


Perde o emprego.
Perde o rumo.
Perde a consciência.
Perde a mão. A fluência. A voz. A vez.

Perde a força.

Perde a chave.

Perde-se.

- Ei! Psiu! Escuta... Você não precisa perder sempre, não. Em meio às derrotas, brotam conquistas. Embora modestas e sutis, suficientes. Sei que pode ser difícil, mas, faça isso por si mesmo: acredite em mim.

Terça-feira, 13 de Maio de 2008

zeitgeist


Aí que ele assistia filmes que ela odiava.
Ele não lia, mesmo assim ela escrevia.
Ela estudava. Ele dormia e acordava.
Ele delirava, ela vivia.
Ela bebia. Ele inspirava – puxava forte.
Ela explicava, explicava... E cansava.
Ele brigava, depois chorava.
Ele se perdia, ela sempre o encontrava.
Ele amava, ela também.

- É fácil – continuou ele - É só não pensar – As palavras saíam de sua boca com serenidade que apunhalava, doçura que machucava. A feriu. E mesmo assim, sem conseguir parar de chorar, ela pediu, baixinho, numa humildade suplicantemente desesperada: “Então me ensina, por favor. Me ensina como você faz”.

Sexta-feira, 2 de Maio de 2008

edaduas


Nem eu sabia que queria tanto
Não tinha noção da diferença desse medo, desse espanto

Hoje cheguei em casa meio sem jeito...

...E sem cheiro

Sem gosto
E sem rosto
Meio sem alegria
Ou simpatia
Sem cantos e acalantos
Sem mimos

Sem sal.

Sem cor ou malícia
Sem aquela delícia
Sem identidade
Sem vontade
Sem criatividade

Sem graça.

Até o dia ficou cinza
Sem sol
Sem brilho
Sem pleonasmos
Sem cerveja e sem papos

Sem chão
Sem direção
Sem sujeito e predicado
Sem contato

Sem você, aqui, encaixado confortavelmente ao meu lado

Quarta-feira, 19 de Março de 2008

como pode?


Tem coisas que, de tão geladas, queimam.
Tem belezas que, de tão belas, enjoam.
Tem cabeças que, de tão inteligentes, mesquinham.

Pois então, têm também tristezas que, de tão tristes, alegram.

São aquelas que brotam da certeza, da conformidade de algo que simplesmente não é. Vêm de uma morte qualquer, para o renascimento. Vêm do desfoque, refocado. De metas, remetidas. Vêm das pazes com Chronos, com Afrodithe e, em especial, com você mesmo. Vêm da certeza do que o universo enxerga de melhor para você. E do seu consentimento calado e sofrido. Consente porque sabe ser o melhor. ..

Por mais torto, mais estranho. Por mais triste.

Segunda-feira, 3 de Março de 2008

* sundae para acompanhar, senhor?


O texto que segue abaixo é o trecho final de um curta-metragem do Jorge Furtado que assisti.

Como ele, também não acredito em destino.

Acho que - no máximo! -, o que ocorre é que algumas coisas tendem a acontecer. Contextos pré-existentes facilitam alguns fatos na vida de cada um, mas até aí estar fadado à determinada sina simplesmente porque "está escrito" - como muitos acreditam – não. Isso não mesmo.

Acredito que sejamos responsáveis pelo rumo que damos à nossa vida. Acredito que se alguém tem o poder de executar algo feliz, estagnar algo infeliz, se arrepender, seguir em frente ou voltar atrás, acertar, errar e reparar, somos nós mesmos perante nossas próprias vidas. Acredito ser demonstração de infinita coragem, qualquer atitude que tenhamos que tomar que, de alguma forma, torne a caminhada de nossas vidas feliz o suficiente e, assim, ao olharmos para trás, não tenhamos a sensação de tempo perdido.

Tempo é experiência e, experiências infelizes são necessárias, mas quando deixamos que perpetuem, tornam-se tempos gastos em vão, desperdiçados... E a gente já tem tão pouco!

ESTRADA
Jorge Furtado

"(...)Você acredita no destino?
Eu não!
Eu acredito que o ser humano tem poder e totais condições para estragar a sua própria vida sem a ajuda de ninguém, tomando as decisões erradas nas horas impróprias, aliando-se a sacanagens diversas, acreditando em heróis, crentes e outros farsantes, apaixonando-se por pessoas doentes ou de péssimo caráter e, principalmente, acreditando CEGAMENTE em sua própria inteligência, bondade, charme, sanidade e senso de justiça. Um grave erro!
Às vezes as probabilidades permitem que você possa contar com alguns momentos bastante bons, que podem ser prolongados se você tiver alguém pra dividir e pra lembrar deles. Que podem ser em maior número, se você tiver a capacidade de planejá-los.
Acho que é isso: um amor recíproco, algum dinheiro, trabalho, muitos planos (prazerosos e executáveis) e (é claro!) um pouco de sorte!"

Quarta-feira, 27 de Fevereiro de 2008

ui! aiê!


Terça-feira, 19 de Fevereiro de 2008

hasta siempre, comandante


- World Trade Center. Coming soon.

E o cinema todo comovido (pelas cenas do trailer que passou antes de começar o filme “Piratas do Caribe”, que assisti há algum tempo), enquanto um dos maiores massacres civis da história mundial simultaneamente acontecia, respaldado pela pobrezinha da potência do trailer. Ai que dó. E tinha gente que chorava.
Tudo mesmo de ponta cabeça. Tudo. As pessoas estão sem referenciais.
Ao mesmo tempo, ao redor do mundo, todos destroem Fidel Castro.
- DITADOR! Impõe, tortura e mata! Deixa seu povo sem condições dignas de vida! E a democracia do mundo, onde fica? – gritam aos montes, em todos os cantos.
Cada vez chego mais a conclusão de que fazer o caminho inverso é realmente muito mais trabalhoso que ceder ao convencional.
Não que Fidel seja um santo imaculado. Isso não mesmo. Acreditem vocês, também sentaria agora e listaria com facilidade inúmeras críticas. Mas já que é pra falar de tolhimento de liberdade, já que o argumento é sempre esse, ok. Que sejam ignoradas então, as fronteiras atribuídas a cada nação. Que o mundo seja visto em sua totalidade, sem divisões. Não existem mais países, apenas um mundo muito, muito grande.
DITADURA pra mim, é impor a esse mundo único e cheio de diferenças lindas, apenas uma verdade. É não permitir que exista uma segunda visão, uma outra opinião. É acabar inescrupulosamente com qualquer nação que cruze o caminho e interfira de alguma forma em planos de poder, matando homens, mulheres e crianças, destruindo pontes, hospitais, casas, escolas, desrespeitando as crenças e os modos de viver de cada sociedade.
E quando se chega à conclusão de que ninguém tem peito suficiente para ir contra, quem lembra?
Quem lembra daquele país pequenininho da América pobre, com um povo frágil e judiado, e um líder que, dentre seus inúmeros defeitos, foi contemplado com a mais saudosa das qualidades: a CORAGEM de dizer NÃO a quem se alimenta do sofrimento do outro. Parece ironia que aquele cara conhecido como um dos maiores ditadores da história contemporânea, tenha sido o único a se negar ao sistema ditatorial imposto ao planeta. O único que tentou, e tenta até hoje da maneira que pode, exercer em âmbito mundial uma DEMOCRACIA que, convenhamos, só existe na cabeça de quem é cego, e na condição de cego, não consegue conciliar os olhos da razão com os do coração.
Ao contrário do que se escuta por aí, o povo cubano não sofre por causa do “egoísta, sanguinário e sem coração do líder que tem”, mas sim, porque nesse mundo opiniões diferentes são vetadas, não podem sobreviver. Principalmente se colocam em risco o poderio de outrem. Você não tem o direito de achar que o correto é o caminho oposto. Caso acredite nisso de verdade, é automaticamente rejeitado. Fica ilhado.
Eleições evidentemente fraudadas e atitudes que desrespeitaram perante o mundo decisões da única organização criada para garantir a paz no planeta, a ONU; repressão covarde a nações pertencentes a cada um dos continentes do planeta, culturas inteiras exterminadas, muitas pessoas mortas, muitas CRIANÇAS mortas, cidades completamente destruídas... E isso por quê? Por cada vez mais poder, e por tudo que, direta ou indiretamente, faça alguma referência a ele.
São vítimas e mais vítimas. Histórias e mais histórias ELIMINADAS do mapa. Com bilhões de espectadores atentos e passivos a tudo.
Ninguém faz nada. Parece que todos permanecem numa sonolência inconsciente... zzzzzzz
E também ninguém quer despertar. Compreensível! Afinal de contas é muito mais cômodo e “seguro”. Toda vez que alguém desperta...
- Shhhhiiiiiiiiiuuuuuuuuuuuuuuuu!!!
É sempre massacrado por aqueles que preferem continuar dormindo.
Putz, acho que sou eu mesmo quem precisa rever os conceitos.

iHasta siempre, comandante!
E que cada vez mais pessoas acordem sem medo, como o senhor.

*Texto escrito há alguns bons anos